terça-feira, 9 de abril de 2019

Exercícios sobre a José de Alencar, Álvares de Azevedo e A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo


Texto para as questões 1, 2, 3 e 4

1.De acordo com o texto e considerando o período em que a obra foi escrita, é correto afirmar:
a) A figura de linguagem utilizada no texto para se referir ao modo como as mulheres passam a ser tratadas pelos artistas românticos é a hipérbole, que consiste no exagero com o intuito de realçar uma ideia.
b) O termo “românticos”, utilizado no texto, diz respeito a estado de espírito, desviando-se do movimento artístico dominante na primeira metade do século XIX brasileiro.
c) O movimento romântico teve caráter contestador, trazendo mudanças não somente para a arte como também para o comportamento.
d) Percebe-se, no texto, forte influência do Positivismo, pois o personagem preocupa-se com a maneira através da qual os escritores românticos referem-se às mulheres.
e) A referência ao modo de tratar a figura feminina exprime uma tentativa de aproximar dois polos considerados inconciliáveis e opostos, denotando profundo gosto pelo paradoxal e antitético.
I.Há no texto uma nítida oposição entre “outrora” e “hoje”, podendo o primeiro ser lido como “época em que dominavam os valores clássicos”, e o segundo, como “época em que dominam os valores românticos”.
II.No período clássico, a designação da realidade era feita através de palavras precisas, deixando claro que aquele que a focalizava possuía grande conhecimento da língua portuguesa padrão.
III. No período romântico, a realidade não é mais vista por uma única perspectiva, por conseguinte, pode ser apreendida de maneira subjetiva.
IV.Olhar a realidade de forma romântica ou de forma clássica vem a ser a mesma coisa, pois o olhar é, antes de mais nada, humano.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.               b) I e III.                  c) II e IV.                   d) I, III e IV.              e) II, III e IV.

a) Mostra-se conservador devido à peculiaridade de sua história familiar.
b) Discorda da visão de mundo dos românticos, seus contemporâneos.
c) Está efetuando leitura da oposição visão de mundo romântica e visão de mundo clássica em período posterior à ocorrência das mesmas.
d) Possui visão de mundo católica, opondo-se aos adeptos da Reforma de Lutero.
e) Apresenta-se neutro frente à oposição visão de mundo clássica e visão de mundo romântica.
4.Sobre a expressão “em bom português”, presente no texto, considere as afirmativas a seguir. Estão corretas apenas as afirmativas:
I.Conforme aparece no texto, indica o desejo de estar de acordo com a norma culta da língua portuguesa.
II.Corresponde à expectativa de preservar, no uso corrente da língua portuguesa, a clareza e a objetividade.
III. Conforme aparece no texto, aponta a valorização da fidelidade aos sentidos originais dos vocábulos.
IV.É utilizada para ressaltar a admiração pela língua portuguesa conforme é falada em Portugal.
a) I e III.              b) II e III.             c) II e IV.             d) I, II e IV.            e) I, III e IV.
“Ora, o tal bichinho chamado amor é capaz de amoldar seus escolhidos a todas as circunstâncias e de obrigá-los a fazer quanta parvoíce há neste mundo. o amor faz o velho criança, o sábio doido, o rei humilde, cativo; faz mesmo. Ás vezes, com que o feio pareça bonito e o grão de areia um gigante. O amor seria capaz de obrigar um coxo a brincar o tempo-será, a um surdo o companheiro e a um cego o procura quem te deu. O amor foi inventor das cabeleiras, dos dentes postiços e de outros certos postiços que… mas, alto lá! Que isto é bulir com muita gente; enfim, o amor está fazendo um estudante do quinto ano de medicina passar um dia inteiro brincando com bonecas.”(Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha.)
5.A passagem extraída do romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, refere-se ao seu protagonista masculino, o estudante de medicina Augusto.
O tema abordado neste texto corresponde:
a) ao caráter inconstante da paixão amorosa
b)à relação problemática entre o amor e juventude.
c) à exaltação romântica do amor juvenil.
d) às alterações de comportamento provocadas pelo amor.
e) aos paradoxos afetivos que caracterizam os enamorados.
6.Assim se pode definir o romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo:
 a)Relato da vida nas repúblicas estudantis do tempo do Império.
b) Estudo da psicologia de um tipo de mulher brasileira, no ambiente rural.
c) História de fidelidade ao amor de infância, na sociedade do Rio
d) Crônica de um caso de mistério, na sociedade carioca de fins do século.
e)Narrativa sobre o problema da escravidão, na sociedade brasileira do século passado
7.Analise as afirmações abaixo sobre o romance “A Moreninha” e seu autor Joaquim
Manuel de Macedo.
I- A Moreninha é um livro centrado no romance entre Augusto e Carolina e é um dos pilares de nossa literatura romântica.
II- Numa época onde a cultura era totalmente voltada para a Europa, A Moreninha é uma das primeiras e magníficas tentativas de fazer literatura brasileira, observando usos e costumes do Brasil do Segundo Império, retratando o cotidiano da vida brasileira em meados do século XIX.
III- O romance apresenta a temática do casamento por interesse tão comum no século XIX e criticado pelo autor que já era considerado realista-naturalista.
 Quais são corretas?
A) Apenas I.      B) Apenas I e II.         C) Apenas II e III.           D) Apenas I e III.     E) I, II e III.

8.Analise as afirmações abaixo sobre o romance “A Moreninha” e seu autor Joaquim Manuel de Macedo.
 I- Mestre na arte do folhetim, Macedo sabia como entrelaçar vários fios narrativos, criando para o leitor momentos de emoção imprevistos e cenas cômicas que ajudam a desfazer a tensão, enquanto o narrador prepara o final feliz reservado para os protagonistas.
II- O Romantismo presente na trama desenvolvida por Macedo se manifesta em diversos aspectos da estrutura: há a pureza do amor infantil, que se concretiza na idade adulta; há a manutenção do mistério da identidade dos amantes; há até o traço nacionalista com a apresentação de uma lenda indígena.
III- Foi o primeiro romance romântico urbano com qualidade literária que alcançou grande sucesso de público e abriu caminho para uma vasta produção de folhetins escritos por autores brasileiros.
 Quais são corretas?
Apenas I.               B) I, II e III.        C) Apenas I e II.        D) Apenas II e III.      E) Apenas I e III.

“Entre os rapazes, porém, há um que não está absolutamente satisfeito: é Augusto. Será porque no tal jogo da palhinha tem por vezes ficado viúvo?… não! ele esperava isso como castigo da sua inconstância. A causa é outra: a alma da ilha de … não está na sala! Augusto vê o jogo ir seguindo o seu caminho muito em ordem; não se rasgou ainda nenhum lenço, Filipe ainda não gritou com a dor de nenhum beliscão, tudo se faz em regra e muito direito; a travessa, a inquieta, a buliçosa, a tentaçãozinha não está aí: D. Carolina está ausente!…
Com efeito, Augusto, sem amar D. Carolina, (ele assim o pensa) já faz dela ideia absolutamente diversa da que fazia ainda há poucas horas. Agora, segundo ele, a interessante Moreninha é, na verdade, travessa, mas a cada travessura ajunta tanta graça, que tudo se lhe perdoa. D. Carolina é o prazer em ebulição; se é inquieta e buliçosa, está em sê-lo a sua maior graça; aquele rosto moreno, vivo e delicado, aquele corpinho, ligeiro como abelha, perderia metade do que vale, se não estivesse em contínua agitação. O beija-flor nunca se mostra tão belo como quando se pendura na mais tênue flor e voeja nos ares; D. Carolina é um beija-flor completo.”MACEDO, Joaquim Manuel de. A Moreninha. L&PM: Porto Alegre, 2001.p. 123-124.
A única alternativa incorreta sobre a obra e o trecho lidos é:
A) O cotidiano burguês do século XIX é apresentado em diversos capítulos, detalhando os hábitos e costumes da época.
B) A comparação de D. Carolina a um beija-flor é um recurso estilístico próprio do Romantismo, e serve para enfatizar o caráter idealizador sobre a figura feminina.
C) A inquietação de Augusto é causada pela ausência de D. Carolina, e não pelo fato de o jogo estar monótono.
D) Augusto começa a enxergar a jovem D. Carolina como uma mulher sedutora e extravagante, após alguns dias devidamente instalado na ilha de…
E) A obra sugere, em seu final, que o romance é resultado da derrota de Augusto na aposta realizada com seu amigo Filipe.
10.Sobre o contexto histórico-literário da obra “A Moreninha” e seu autor, analise as afirmações a seguir.
I.Joaquim Manuel de Macedo foi o primeiro romancista a alcançar sucesso junto ao novo público romântico formado por jovens senhoras e estudantes.
II.O contexto da publicação da obra revela um Rio de Janeiro imperial e seus costumes urbanos.
III. A burguesia mantém-se como personagem e consumidor dos romances românticos, fato esse herdado da estética literária anterior.
Quais são corretas?
A) Apenas I            B Apenas I e II.       C) Apenas II e III.    D) Apenas I e III.      E ) I, II e III.

11.(UFP)Em linhas gerais, o romance A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo, é:
a) o relato de uma história de fidelidade ao amor de infância, na sociedade brasileira do século passado.
b) a crônica de um caso amoroso ocorrido em fins do século XVII nas imediações do Rio de Janeiro.
c) uma história baseada no problema da escravidão, na sociedade brasileira do Segundo Império.
d) a história dramática de uma heroína às voltas com um amor impossível.
 e) uma história que mostra a oposição Roça/Corte no século passado, através de um episódio amoroso.
 12.(ARL) Analise as afirmações abaixo sobre o escritor Joaquim Manuel de Macedo.
 I- Joaquim Manuel de Macedo foi médico, político,  professor, romancista, teatrólogo e poeta, numa época  de euforia da burguesia, classe social dominante, em  pleno Brasil pós independente.
II- Foi aceito de imediato pelo público porque explorou  com muita felicidade a “psicologia feminina e a  sociedade da época” bem como por usar a linguagem  do leitor.
III- Retratou a elite brasileira da corte com alguns tipos  inconfundíveis: os estudantes, a moça namoradeira, a  criada intrometida, a avó carinhosa, a senhora  fofoqueira, todos eles envolvidos em cenas que se  desenrolam em espaços claramente brasileiros (a Ilha
de Paquetá, as matas da Tijuca, os espaços urbanos  do Rio de Janeiro.
 Quais são corretas?
A) Apenas I.            B) Apenas I e II.      C) Apenas II e III.    D) Apenas I e III.     E) I, II e III.

12

O excerto a seguir foi extraído da obra “Noite na Taverna”, livro de contos escritos pelo poeta ultrarromântico Álvares de Azevedo (1831-1852).
“Uma noite, e após uma orgia, eu deixara dormida no leito dela a condessa Bárbara. Dei um último olhar àquela forma nua e adormecida com a febre nas faces e a lascívia nos lábios úmidos, gemendo ainda nos sonhos como na agonia voluptuosa do amor. Saí. Não sei se a noite era límpida ou negra; sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez. As taças tinham ficado vazias na mesa: aos lábios daquela criatura eu bebera até a última gota o vinho do deleite…
Quando dei acordo de mim estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o: era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal apertados… Era uma defunta!… e aqueles traços todos me lembravam uma ideia perdida… — era o anjo do cemitério! Cerrei as portas da igreja, que, eu ignoro por quê, eu achara abertas. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão. Pesava como chumbo…”          (São Paulo: Moderna, 1997, p. 23)
Com relação ao fragmento acima, afirma-se:
I) Acentua traços característicos da literatura romântica, como o subjetivismo, o egocentrismo e o sentimentalismo; ao contrário, despreza o nacionalismo e o indianismo, temas característicos da primeira geração romântica.
II) Idealiza figuras imaginárias, mulheres incorpóreas ou virgens, personagens que confirmam o amor inatingível, idealizado na literatura ultrarromântica. Desta forma, no 1o parágrafo, o amor platônico não é superado pelo amor físico.
III)      Tematiza a morte, presente em grande parte da obra do autor.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I está correta.      d)         Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas. e)         Apenas I e III estão corretas.
c) I, II e III estão corretas.

 13

Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso ... e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.
(Álvares de Azevedo, “Luar de verão”, Lira dos vinte anos)
Nesse excerto, o eu lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu lírico manifesta a:
a) ironia romântica.
b) tendência romântica ao misticismo.
c) melancolia romântica.
d) aversão dos românticos à natureza.
e) fuga romântica para o sonho.



domingo, 17 de fevereiro de 2019

Modernismo português

MODERNISMO PORTUGUÊS

  
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal 
São lágrimas de Portugal! 
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 
Quantos filhos em vão rezaram!  
Quantas noivas ficaram por casar 
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena 
Se a alma não é pequena.  
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa


 CONTEXTO DO MODERNISMO PORTUGUÊS
Resultado de imagem para ASSASSINATO DO REI DE PORTUGAL     Em Portugal esse período foi muito difícil, porque, com a guerra, estavam em jogo as colônias africanas, que já vinham sendo cobiçadas pelas grandes potências desde o final do séc. XIX, quando a Inglaterra deu um Ultimato a Portugal. Aliado a isso, em 1911, foi Promulgado a Constituição e Manuel de Arriaga, eleito o primeiro presidente da Republico
     Assassinato de D. Carlos e seu filho D. Luis Felipe em 1908
     Os primeiros anos do governo republicano foram marcados por profundas crises, que geraram duas atitudes opostas: uma nacionalista, favorável à nova forma de governo e outra, do grupo de oposição, os integralistas, que defendiam as ideias do nazi-fascismo emergentes na Europa.
     Sebastianismo
     Em 1910 foi proclamada a República de Portugal.
     1926, os direitistas tomaram o poder por um golpe militar de Antônio de Oliveira Salazar, deposto em 1974 pela revolução dos Cravos


INÍCIO DO MODERNISMO PORTUGUÊS
O MODERNISMO em Portugal tem seu início oficial no ano de 1915, quando um grupo de escritores e artistas plásticos lança o primeiro número da "Orpheu", revista trimestral de literatura. Esse grupo é composto por Mário de SáCarneiro, Raul Leal, Luís de Montalvor, Almada Negreiros o brasileiro Ronald de Carvalho e, entre outros, o fantástico e polêmico, Fernando Pessoa e seus heterônimos (Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro). 

REVISTA ORPHEU (1915)

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  •  Objetivos: 
    • Chocar a burguesia com sua obra irreverente (poesias sem metro, exaltando a modernidade);  
    • Tirar Portugal de seu descompasso com a vanguarda do resto da Europa.
  •  Principais Poetas: 


domingo, 2 de dezembro de 2018

Exercícios sobre Gênero Lírico e dramático


1

Releia a quarta estrofe do poema:

Sem chuva na terra
descamba janeiro
até fevereiro
no mesmo verão
reclama o roceiro
dizendo consigo:
meu Deus é castigo
não chove mais não
Assinale a alternativa que apresenta todas as informações corretas acerca da construção da estrofe, no tocante ao número de versos, número de sílabas de cada verso e esquema de rimas:

A) oitava, cinco, ABBCBDDC
B) oitava, sete, ABBCBDDC
C) oitava, cinco, ABBCADDC
D) décima, seis, ABBCADDC
E) décima, sete, ABBCBDDC



2






5
Senhora Dona Bahia,
nobre e opulenta cidade,
madrasta dos naturais,
e dos estrangeiros madre:

Dizei-me por vida vossa





10
em que fundais o ditame
de exaltar os que aqui vêm,
e abater os que aqui nascem?

Se o fazeis pelo interesse
de que os estranhos vos gabem,





15
isso os paisanos fariam
com conhecidas vantagens.

E suposto que os louvores
em boca própria não valem,
se tem força esta sentença,





20
mor força terá a verdade.

O certo é, pátria minha,
que fostes terra de alarves,
e inda os ressábios vos duram
desse tempo e dessa idade.






25

Haverá duzentos anos,
nem tantos podem contar-se,
que éreis uma aldeia pobre
e hoje sois rica cidade.

Então vos pisavam índios,

e vos habitavam cafres,
hoje chispais fidalguias,
arrojando personagens.

Nota: entenda-se “Bahia” como cidade.

Gregório de Matos

Vocabulário
alarves - que ou quem é rústico, abrutado, grosseiro, ignorante; que ou o que é tolo, parvo, estúpido.
ressábios - sabor; gosto que se tem depois.
cafres - indivíduo de raça negra.

Todas as afirmativas sobre a construção estética ou a produção textual do poema de Gregório de Matos (Texto) estão adequadas, EXCETO uma. Assinale-a.

(A) Existem antíteses, características de textos no período barroco.
(B) Há uma personificação, pois a Bahia, ser inanimado, é tratada como ser vivo.
(C) A ausência de métrica aproxima o poema do Modernismo.
(D) O eu lírico usa o vocativo, transformando a Bahia em sua interlocutora.
(E) Há diferença de tratamento para os habitantes locais e os estrangeiros.

3

Vila Rica

O ouro fulvo* do ocaso as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos* de ouro, as minas, que ambição
Na torturada entranha abriu da terra nobre:
E cada cicatriz brilha como um brasão.

O ângelus plange ao longe em doloroso dobre,
O último ouro de sol morre na cerração.
E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
O crepúsculo cai como uma extrema-unção.

Agora, para além do cerro, o céu parece
Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu...
A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,

Como uma procissão espectral que se move...
Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...
Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.

Olavo Bilac

*Glossário:
“fulvo”: de cor alaranjada.
“laivos”: marcas; manchas; desenhos estreitos e coloridos nas pedras; restos ou vestígios.

Dentre os diversos recursos expressivos presentes no texto, pode-se apontar o emprego concomitante de um verbo onomatopaico e de aliteração no verso

A) dois.
B) onze.
C) oito.
D) catorze.
E) quatro.



4

A questão se baseia num poema de Florbela Espanca.

Esquecimento

Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tateio sombras... que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos...!
Florbela Espanca

Na última estrofe, o eu lírico expressa, por meio de

(A) hipérboles, a dificuldade de se tentar esquecer um grande amor.
(B) metáforas, a forma de se esquecer plenamente a pessoa amada.
(C) eufemismos, as contradições do amor e os sofrimentos dele decorrentes.
(D) metonímias, o bem-estar ligado a amar e querer esquecer.
(E) paradoxos, a impossibilidade de o esquecimento ser levado a cabo.



5

Considere o poema a seguir, "A cantiga", de Adélia Prado:

"Ai cigana ciganinha,
ciganinha, meu amor".
Quando escutei essa cantiga
era hora do almoço, há muitos anos.
A voz da mulher cantando vinha de uma cozinha,
ai ciganinha, a voz de bambu rachado
continua tinindo, esganiçada, linda,
viaja pra dentro de mim, o meu ouvido cada vez melhor.
Canta, canta, mulher, vai polindo o cristal,
canta mais, canta que eu acho minha mãe,
meu vestido estampado, meu pai tirando boia da panela,
canta que eu acho minha vida.
(Em: Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.)

Acerca desse poema, é INCORRETO afirmar que

A ( ) a poeta tem consciência de que seu passado é irremediavelmente perdido.
B ( ) existe um tom nostálgico, e um saudosismo de raiz romântica.
C ( ) a cantiga faz com que a poeta reviva uma série de lembranças afetivas.
D ( ) predomina o tom confessional e o caráter autobiográfico.
E ( ) valoriza os elementos da cultura popular, também uma herança romântica.




6

Bebida é água
Comida é pasto
Você tem fome de quê?
Você tem sede de quê? [...]”.
A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte
A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão e balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida como a vida quer.
[...]
(Comida, Titãs).

Figuras de linguagem é uma forma de expressão que consiste no emprego de palavras em sentido diferente daquele em que convencionalmente são empregadas. Na frase “Comida é pasto”, a palavra pasto foi empregada como:

a. Metonímia.
b. Metáfora.
c. Hipérbole.
d. Eufemismo.
e. Prosopopeia.



sexta-feira, 1 de junho de 2018

Semana de Arte Moderna

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LOCAL: Teatro Municipal de São Paulo.


Nota no Estado de São Paulo:
"Por iniciativa de festejado escritor, Sr. Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras, haverá em São Paulo uma "Semana de Arte Moderna" em que tomarão parte os artistas, que em nosso meio, representam as mais modernas correntes artísticas“
Dias: 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922
Organizadores:
Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Guilherme de Almeida, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Brecheret.
Horário: 20:00 h

1º DIA (13/02/1922)

Cronograma:
Graça Aranha profere palestra A emoção estética na Arte  Moderna, ilustrada por uma peça musical de Eric Satie (paródia irreverente da Marcha Fúnebre, de Chopin, executada ao piano por Ernâni Braga.
Guilherme de Almeida e Ronald de Carvalho declamam poemas modernistas.
No saguão, havia exposição de pinturas de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro entre outros e esculturas de Víctor Brecheret.
Ronald de Carvalho faz uma conferência sobre A Pintura e a Escultura Moderna no Brasil, seguido de solos de piano interpretados por Ernâni Braga, além de três danças africanas, de Villa Lobos. Oswald de Andrade leu poemas de sua autoria. Mario de Andrade, no saguão, proferiu uma palestra sobre Estética.

2º DIA (15/02/1922)
Cronograma:
Palestra de Menotti Del Picchia, ilustrada com dança da senhorinha Yvonne Daumerie e por poesias e trechos de prosas de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Plinio Salgado etc;
Solos de piano de Guimar Novaes;
Leitura do poema “Os Sapos” de Manuel Bandeira
Palestra de Mário de Andrade no saguão do teatro;
Palestra de Renato de Almeida "Perenis poesia"; (um sátira ao culto das rimas ricas e à poesia de "fita métrica");
Canto e piano por Frederico Nascimento Filho e Lucília Villa-Lobos - quarteto terceiro (cordas, 1916).

3º DIA (17/02/1922)
Cronograma:
Música de Villa Lobos;
Canto e piano por Maria Emma e Lucília Villa-Lobos;
Historietas de Ronald Carvalho;
Sonata II para violino e piano com Paulina d' Ambrósio e Fructuoso de Lima Vianna;
Solos de Piano por Emani Braga;


Quarteto simbólico (impressões da vida mundana): flauta, saxofone, celesta e harpa ou piano com vozes femininas em coro oculto.