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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Raimundo Correia

Raimundo Correia (1859-1911) 
Obras

  • Primeiros Sonhos (1879); Sinfonias (1883); Versos e Versões (1887); Aleluias (1891); Poesias (1898). 


Características
  • Manifestou intensa preocupação formal, usando linguagem ricamente trabalhada. Ficou conhecido como o poeta de “Mal secreto” e “As pombas”, dois de seus sonetos mais conhecidos; 
  • Revelou forte influência dos poetas Românticos: Fagundes Varela, Casimiro de Abreu e Castro Alves; 
  • Os temas adotados por Raimundo Correia giram em torno da perfeição formal dos objetos. 
  • Diferencia-se dos demais parnasianos porque sua poesia é marcada por um forte pessimismo.
Poemas

As pombas

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...


Mal Secreto 

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!


domingo, 9 de outubro de 2011

Alberto de Oliveira

Alberto de Oliveira (1859-1937) 


Obra
Canções Românticas (1878); Meridionais (1884); Sonetos e Poemas (1885); Versos e Rimas (1895); Poesias - quatro séries (1900-1905-1913-1927); Céu, Terra e Mar (1914) – antologia; Poesias Escolhidas (1933) - Póstuma, (1944).

Características
  • Cultivou temas que vão desde objetos até a natureza e a saudade; 
  • Perfeição formal e métrica rígida. A sua linguagem é cuidadosamente trabalhada, chegando às vezes a ser rebuscada.
Poemas



Vaso Grego

Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que o suspendia
Então, e, ora repleta ora esvasada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas, o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.


Vaso Chinês

Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.

Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura,
Quem o sabe?... de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura.
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa. 

Olavo Bilac



Olavo Bilac (1865-1918)

Obras

Poesias (1888), constando as coleções Panóplias, Via Láctea, Sarças de Fogo e, na segunda edição, O Caçador de Esmeraldas, Alma Inquieta; Viagens.

Características
  • A Antigüidade greco-romana 
  • A temática da perfeição 
  • O lirismo amoroso 
  • A reflexão existencial 
  • O nacionalismo ufanista 
  • A mulher e a pátria são temas constantes na obra de Bilac. 
  • Coerente com sua postura estética, sua forma é perfeita, demonstrando habilidade de versificação e pureza da língua. 
  • Sua poesia é superficial como visão do homem, pois se detém na camada superficial das cores, dos sons, das combinações plásticas sem mergulhar nas angústias e prazeres do ser humano. 
Poemas
- Anoitecer

- Profissão de fé

- Nel mezzo del camin

- Língua Portuguesa